Quarta-feira, Julho 05, 2006

A Dança da Liberdade

Conheço várias pessoas “modernas”. Nada de ciúmes ou de prisão! A moda agora é relação aberta! Reparando bem, estão todas olhando, para todos os lados, procurando pessoas a consumir; produtos que assegurem que você está quite (ou levando vantagem) sobre seu ficante. Que delícia, hein? Que liberdade! Nada de relaxar! Apenas procurar, e ficar, e procurar mais. Em suma: patético. E dolorido.

Regra número um para se ter um relacionamento aberto: saber escutar (e respeitar) o desejo. Duas pessoas se encontram e se apaixonam. O pensar é todo para esse novo ser, tão intenso em sua vida. Vontade de ficar junto que não acaba nunca. Mas não. Nem. Tem que sair, curtir, senão perco minha liberdade! Ou então arriscar e grudar, com o risco de perder amigos e nunca mais poder se divertir sem a agora (mas não para sempre) tão desejada companhia. Dilema horrível!!!! Mas há uma linha de fuga: chama-se liberdade.

E aí vem o equívoco. Liberdade não está em manuais, nem em revistas ou intervalos comerciais. Liberdade tem uma voz só: respeitar o desejo. O seu e o alheio. E só. E muito. Um exercício às vezes difícil de visitar o coração; e de escutar o outro em seu olhar, corpo, e palpitar de células. E uma vez, e sempre, e diariamente, compreendida a dinâmica do desejo, respeite-a. Qual é o seu desejo? E o do outro?

Você sabe dançar? Na dança –não essa misógina e insensível em que o homem sempre conduz –mas na dança sagrada dos corpos, o casal se experimenta, se encontra, se sintoniza. Um corpo quer ir para a direita, o outro para a frente. O que fazer? Criar passos que mantenham a beleza e o prazer dessa arte. Basta sentir o outro para dançar. E assim é a liberdade em uma relação.


Uma relação monogâmica pode ser livre. Uma que forme uma bolha de isolamento também, desde que se saiba a hora de transformar os laços. E sempre de acordo com o desejo. “E se meu parceiro já não me deseja mais?” O que há de se fazer? Forçar alguém a dançar? Logo terá o pé pisoteado! É essa dança que você quer?