Gozar pelos olhos

Um corpo. Mais outro. Fugitivos das normas. Experimentar confuso pela presença intensa. Desejar e fazer. E sentir como é diferente um corpo com um desejar-outro que não o de sempre. Criar novas vontades, escutar o que as células pedem. Células minhas, células outras. Busca de sintonia no momento presente –com as surpresas de um fluxo que não pára.
Aquele tesão tão-sempre não existe. Eis os corpos aprendendo a fazer novas conexões e a produzir outros afetos. Prazer diferente, que só afeta quem está aberto a isso. E o corpo revolvido de suas conexões mesmas, ciente agora de que pode mudar mais e mais, aprende a linguagem da revolução. E modifica-se.
E esse prazer outro legitima o corpo a ser. Ah! Ele que tão machucado e desprezado foi durantes anos e anos... Agora ele pode ser, simplesmente. Intensamente. Corpo emocionado pelo respeito que sente pela primeira vez por si –sagrado e magnífico. As feridas atropeladas pela violência cotidiana das normas e dever-ser insurgem. Corpo chora. Mas não é de tristeza, não. É de gozo. Prazer de poder existir.


