Conheço várias pessoas “modernas”. Nada de ciúmes ou de prisão! A moda agora é relação aberta! Reparando bem, estão todas olhando, para todos os lados, procurando pessoas a consumir; produtos que assegurem que você está quite (ou levando vantagem) sobre seu ficante. Que delícia, hein? Que liberdade! Nada de relaxar! Apenas procurar, e ficar, e procurar mais. Em suma: patético. E dolorido.
Regra número um para se ter um relacionamento aberto: saber escutar (e respeitar) o desejo. Duas pessoas se encontram e se apaixonam. O pensar é todo para esse novo ser, tão intenso em sua vida. Vontade de ficar junto que não acaba nunca. Mas não. Nem. Tem que sair, curtir, senão perco minha liberdade! Ou então arriscar e grudar, com o risco de perder amigos e nunca mais poder se divertir sem a agora (mas não para sempre) tão desejada companhia. Dilema horrível!!!! Mas há uma linha de fuga: chama-se liberdade.
E aí vem o equívoco. Liberdade não está em manuais, nem em revistas ou intervalos comerciais. Liberdade tem uma voz só: respeitar o desejo. O seu e o alheio. E só. E muito. Um exercício às vezes difícil de visitar o coração; e de escutar o outro em seu olhar, corpo, e palpitar de células. E uma vez, e sempre, e diariamente, compreendida a dinâmica do desejo, respeite-a. Qual é o seu desejo? E o do outro?
Você sabe dançar? Na dança –não essa misógina e insensível em que o homem sempre conduz –mas na dança sagrada dos corpos, o casal se experimenta, se encontra, se sintoniza. Um corpo quer ir para a direita, o outro para a frente. O que fazer? Criar passos que mantenham a beleza e o prazer dessa arte. Basta sentir o outro para dançar. E assim é a liberdade em uma relação.
Uma relação monogâmica pode ser livre. Uma que forme uma bolha de isolamento também, desde que se saiba a hora de transformar os laços. E sempre de acordo com o desejo. “E se meu parceiro já não me deseja mais?” O que há de se fazer? Forçar alguém a dançar? Logo terá o pé pisoteado! É essa dança que você quer?
9 Comments:
Beth minha querida,
Simplesmente perfeito, falou e disse! Ah se todos pensassem assim, enfim estaríamos livres dos ciúmes doentios e da maldita possessividade exacerbada e assim poderíamos gozar de relações muito mais saudáveis e construtivas! Salve a liberdade, o mais nobre dos sentimentos!
Beijos
liberdade não existe sem sinceridade, consigo mesmo. vivo buscando esse equilíbrio. aliás essa "criação" que são os novos relacionamentos ainda é uma caminho instável. acredito sim! que tudo possa ficar do jeito que a gente quer. :) estou adorando te ler
Ai, querida, já tinha lido esse texto, mas nossa, que delícia ler de novo...
Hummm... Como vc bem sabe, venho, já há algum tempo, pensando muitas coisas sobre afetos/relações possíveis, e é incrível como vc tem essa capacidade deliciosa de colocar tudo explicadinho, e de um jeito tão bonito, pra gente pensar junto!
Adorei este texto, hehe, sobre os relacionamentos 'modernos' e 'tradicionais' que encontramos por aí: relações que se dizem livres, mas q muitas vezes são fundamentadas no medo da entrega ou no consumo de pessoas... ou nas relações monogâmicas sufocantes, estéreis, onde não há espaço para o novo...
Liberdade mesmo, estou com vc, é respeitar o seu desejo e o desejo do outro. Encontrar um caminho. E que difícil pode ser! Mas, ao mesmo tempo, que possibilidades incríveis esse caminho pode trazer...
Beijos bem no fundo do seu coração!
Uma beleza, Beth querida.
ai, essa coisa toda é muito complicada! difícil a vida. pois é...(comentário desnecessário) bom, e caê, um beijo bem no fundo do coração foi engraçado! hehehe! fofo! e engraçado! então, mais beijos no fundo do coração de vcs!!!
Beth... acho mesmo que estamos todos querendo estabelecer um mdelo de felicidade. Esta procura por soluções nos leva por caminhos equivocados às vezes... é da natureza das procuras os erros e os acertos... mas quem dirá o que é certo e o que é errado??? Somente a construção de uma solução a dois poderá contemplar esta angústia.
Você toca em questões sérias de uma maneira leve. No fundo todos precisam disto.
Beijos
Rinaldo
Beth, vamos dançar esta noite?
Beijo!
Diego.
beth, que linda é! =)
não sei se lembra, aqui é julie, de cabelos loiros e curtos, eu estava no Corpus Crisis e você com sua fala foi uma das quantas pessoas que me apaixonaram lá.
Acho que eu estava embriagada de um não-sei-o-quê que me dava de amor àquilo tudo e aquelxs todxs quando te disse, acho que pra ti e pra a rosana que vocês era lindas! Lembra de mim?
Vou vir sempre no teu blog. Você fala linda sobre o que todos deveríamos pensar. Tem-se tanto a trocar...!
Um grande beijo, tudo de bom pra ti!
Hummm... tô aproveitando esse espacinho seu aqui para dizer que estou com muitas, muitas, muitas saudades de você!
;)
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