Gozar pelos olhos

Um corpo. Mais outro. Fugitivos das normas. Experimentar confuso pela presença intensa. Desejar e fazer. E sentir como é diferente um corpo com um desejar-outro que não o de sempre. Criar novas vontades, escutar o que as células pedem. Células minhas, células outras. Busca de sintonia no momento presente –com as surpresas de um fluxo que não pára.
Aquele tesão tão-sempre não existe. Eis os corpos aprendendo a fazer novas conexões e a produzir outros afetos. Prazer diferente, que só afeta quem está aberto a isso. E o corpo revolvido de suas conexões mesmas, ciente agora de que pode mudar mais e mais, aprende a linguagem da revolução. E modifica-se.
E esse prazer outro legitima o corpo a ser. Ah! Ele que tão machucado e desprezado foi durantes anos e anos... Agora ele pode ser, simplesmente. Intensamente. Corpo emocionado pelo respeito que sente pela primeira vez por si –sagrado e magnífico. As feridas atropeladas pela violência cotidiana das normas e dever-ser insurgem. Corpo chora. Mas não é de tristeza, não. É de gozo. Prazer de poder existir.

5 Comments:
belo, belo. ui, sem palavras...adorei!
Uau, querida. Tô boquiaberta. Você conseguiu transcrever, num texto lindo e tão vivo, tudo que ando pensando nesses últimos dias. Esse 'sentir' revolucionário, que nos liberta, que nos recria para ourtras possibilidades de existir e de se conectar com o mundo... Ufa! Contagiante. Ando lendo muito a Rolnik, que fala sobre isso, e estou apaixonada... A revolução nunca me pareceu tão possível. A saída do mesmo: o 'sentir diferente'. Ahh, que delícia...
Fiquei particularmente tocada com esse parágrafo, mais do que perfeito: "Aquele tesão tão-sempre não existe. Eis os corpos aprendendo a fazer novas conexões e a produzir outros afetos. Prazer diferente, que só afeta quem está aberto a isso. E o corpo revolvido de suas conexões mesmas, ciente agora de que pode mudar mais e mais, aprende a linguagem da revolução. E modifica-se."
Uau!
Que presente!
Beijos sem fim!
E olha que o tal do respeito parece ser tão elementar... parece! Ou deveria. Mas é uma conquista tão pessoal, tão de cada um, tão de todo dia... excelente passo começar pela quebra do tão-sempre. Beijos, de bocas e de olhos.
Beth, é a primeira vez q entro no seu blog e só não estou surpreso com o q vc escreve pq sei da sua invejável capacidade intelectual. Parabéns, vc manda muito bem! É por essas e outras q sou seu fã!
Beijos
Que delícia de texto!
Adoro tuas conexões vocabulares e orgânico-corporais.
Aguardo um texto inspirado nos nossos momentos recíprocos de sensualidade ao pôr-do-sol na L3.
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